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foto antiga de Olhos D'Água Goiás

Santo Antônio do Olho D'Água

   O povoado originou-se de uma doação de terras feita à igreja por fazendeiros locais, visando o erguimento de uma capela em honra a Santo Antônio. Sendo a primeira cruz levantada em oito de setembro de 1940 e em 13 de julho do ano seguinte a capela estava pronta, ao seu lado foi construído um rancho onde passou a funcionar a escola.

    Aos poucos, habitantes da zona rural foram erguendo suas casas nos terrenos em torno da capela, dando origem ao povoado que em 1954, foi elevado a categoria de distrito do município de Corumbá, cidade mais próxima. A vila logo prosperou. Em pouco mais de uma década já contava com dezenas de residências, luz e água encanada na pracinha, farmácia, escolas, padaria e varias mercearias.

 Em 1958, sua importância era reconhecida, sendo alçada à condição de sede de município.

 Em 1958, sua importância era reconhecida, sendo alçada à condição de sede de município.

 Porém esta condição teve curta duração. Dois anos após ter alcançado este patamar, a cidade viu-se, do dia para a noite, regredir à condição de vila. Tal fato ocorreu em função da criação da capital federal  - “1960 surge Brasília”.

Relato do morador seu Domingos:

   Já tínhamos duas farmácias, muitas lojas e um comércio em franco desenvolvimento quando começou a noticias de que uma grande cidade seria construída aqui perto. Entusiasmados com a estrada que ligaria a Goiânia, o prefeito e os vereadores votaram uma lei que mudava sua sede para beira do asfalto. Como as pessoas não concordavam e alguns vereadores também não apoiavam a ideia, sorrateiramente a mudança foi feita durante a noite.

   A cidade amanheceu sem prefeitura. Tudo já estava em Alexânia que oferecia inclusive lotes de graça para quem quisesse mudar. Muitas coisas foram derrubadas e grande parte da população foi para lá. Começou o desamparo pra gente daqui. A criação de Alexânia, homenagem a Alex Abdala, então prefeito representou um profundo golpe para Olhos D’Água, que de repente ficou sem água encanada na praça e sem luz elétrica, situação que perdurou por 16 anos, devido a transferência do gerador para a nova cidade erguida à margem da BR 060, apenas a 80 Km de Brasília.

   A proximidade na nova capital fez surgir o empobrecimento, a população que até então fiava e tecia suas roupas e fazia seus próprios utensílios pararam essas atividades para adquirir produtos industrializados, porém como o poder aquisitivo era baixíssimo faltavam-lhes quase tudo sempre, assim Olhos D’Água foi que se acabando aos poucos.

   A apatia que se abateu sobre a população perdurou até o ano de 1974, quando a arte educadora Laís Aderne e seu marido Armando Faria professor de literatura na UnB, conheceram o local e decidiram imediatamente residir permanentemente para priorizar o desenvolvimento de um projeto que contemplasse o resgate social e cultural de toda população.

  Assim com este propósito e muito trabalho a auto-estima da população foi avivada, fazendo com que a realidade do pequeno e encantador povoado começasse a se transfigurar e adquirir sua real vocação até os dias atuais: Troca, Gambira ou Catiragem,  Criatividade, Simplicidade e muita Simpatia.

Fonte: Fios de Olhos D'Água

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